Quanto tempo dura uma geladeira: o que muda entre inverter e convencional
Vida util media, o que desgasta o compressor e em que ponto o reparo deixa de compensar.

A resposta curta é entre dez e quinze anos. A resposta útil é mais chata: depende de qual peça falha primeiro, e de quanto custa a peça no ano em que ela falhar.
O número que os fabricantes usam
A vida útil de projeto de uma geladeira doméstica gira em torno de dez a treze anos. É um número de engenharia, não uma promessa: significa que o equipamento foi dimensionado para operar esse tempo dentro de condições razoáveis de temperatura ambiente, ventilação e uso. Aparelhos instalados em cozinha quente, encostados na parede ou com o condensador coberto de poeira encurtam essa conta com facilidade.
Na prática, o que se vê em assistência técnica é uma distribuição em dois grupos. Um bloco de aparelhos que passa dos quinze anos sem nenhuma intervenção além de troca de borracha de porta e limpeza, e um bloco que começa a dar problema entre o sexto e o oitavo ano, quase sempre por causa de instalação ruim ou de um componente eletrônico específico.
O compressor é que define o prazo
Tudo o mais em uma geladeira é substituível a custo baixo. Termostato, sensor, resistência de degelo, ventilador, placa: são peças de valor moderado e troca rápida. O compressor não. Ele é o coração do sistema e representa a maior fatia do custo de um reparo estrutural, porque a substituição envolve recolher o gás, soldar, fazer vácuo e recarregar o circuito.
Um compressor bem dimensionado e alimentado por rede estável dura muito. O que o mata, em ordem de frequência: oscilação de tensão, partidas em sequência curta por conta de termostato defeituoso, e obstrução do condensador, que faz o motor trabalhar contra uma pressão maior do que a de projeto.
Inverter e convencional envelhecem de formas diferentes
O compressor convencional trabalha em dois estados. Liga em capacidade cheia, resfria até o ponto de corte, desliga. Cada partida é um pico de corrente e um pico de desgaste mecânico. O ciclo é simples, robusto e previsível, e a peça é barata e fácil de encontrar.
O compressor inverter varia a rotação. Em vez de ligar e desligar, ele modula a velocidade para manter a temperatura estável. O ganho é duplo: consome menos porque evita os picos de partida, e desgasta menos porque quase não faz partidas. Em contrapartida, ele depende de uma placa inverter que traduz a demanda em frequência de rotação — e essa placa é o componente que costuma falhar antes do compressor.
A consequência prática inverte a intuição de muita gente. O aparelho inverter tende a ter compressor mais longevo, mas concentra o risco em um módulo eletrônico. O convencional tem eletrônica mínima, quase nada para queimar, mas submete o compressor a um regime mais duro. Não existe um vencedor absoluto: existe um perfil de falha diferente.
Quando o reparo deixa de compensar
A regra prática que técnicos usam há décadas continua valendo: se o orçamento passa de mais ou menos metade do preço de um aparelho novo equivalente, e o equipamento já passou dos dez anos, trocar sai melhor. Abaixo disso, consertar quase sempre vale.
Duas correções importantes nessa regra. A primeira é que o aparelho novo equivalente raramente é o mesmo modelo — a comparação honesta é com um aparelho de capacidade e categoria parecidas, não com o topo de linha. A segunda é o consumo: um aparelho de doze anos, com borracha de porta ressecada e condensador sujo, pode estar consumindo bem mais do que consumia quando novo, e essa diferença aparece todo mês na conta.
Os três hábitos que mais esticam a vida útil
Manter folga de alguns centímetros nas laterais e no fundo, para que o calor do condensador tenha para onde ir. Limpar a serpentina traseira ou a grade inferior com alguma regularidade, porque poeira ali funciona como isolante térmico e obriga o compressor a trabalhar mais. E conferir a borracha da porta: se uma folha de papel presa entre a porta fechada e o gabinete escorrega sozinha, a vedação já perdeu função e o aparelho está resfriando o ambiente.
Nenhum dos três exige ferramenta. Os três juntos custam nada e são responsáveis pela maior parte da diferença entre um aparelho que chega aos quinze anos e um que sai de linha no oitavo.