Selo Procel e conta de luz: o que o A significa na prática
Como ler a etiqueta de consumo, por que o numero medido nao bate com a conta e o que degrada a eficiencia com o tempo.

A etiqueta na porta do aparelho novo informa duas coisas diferentes, e quase todo mundo lê só uma. A letra compara o modelo com outros da mesma categoria. O número em quilowatt-hora por mês é o que efetivamente aparece na conta.
A letra é relativa, o número é absoluto
A classificação por letras posiciona o aparelho dentro da sua faixa de capacidade e tecnologia. Um refrigerador grande com letra A pode consumir mais energia por mês do que um modelo pequeno com letra B, porque as duas letras não se comparam entre categorias diferentes. Comparar letras entre aparelhos de tamanhos distintos não informa nada útil.
O número de consumo mensal, sim, é comparável. É esse valor que deve entrar na conta de quem está decidindo entre dois modelos: multiplicado pela tarifa da distribuidora, ele dá o custo mensal de operar aquele aparelho.
Por que o consumo real quase nunca bate com a etiqueta
O ensaio que gera o número é padronizado, e a padronização é justamente o que o torna comparável. O aparelho é testado com temperatura ambiente controlada, sem carga, com a porta fechada e em regime estável.
A cozinha real não é assim. Quatro fatores explicam a maior parte da diferença:
Temperatura ambiente. Quanto mais quente o ambiente, mais o compressor trabalha. O mesmo aparelho consome sensivelmente mais em uma cozinha de trinta e cinco graus do que em uma de vinte e dois.
Abertura de porta. Cada abertura troca ar frio por ar quente e úmido, e o sistema gasta energia para recuperar. Casa cheia consome mais que casa vazia com o mesmo equipamento.
Carga e organização. Aparelho muito vazio perde inércia térmica; aparelho abarrotado bloqueia a circulação de ar. Os dois extremos aumentam o consumo, e o segundo também produz zonas mal refrigeradas.
Instalação. Sem folga para dissipar calor, o condensador não consegue trocar com o ambiente e o compressor trabalha contra pressão maior do que a prevista no projeto.
O que degrada a eficiência com o tempo
Um aparelho de dez anos raramente consome o que consumia no primeiro ano, e o motivo não é o compressor ficar mais fraco.
A vedação é o primeiro item. Borracha ressecada ou deformada deixa entrar ar úmido de forma contínua. O sistema passa a trabalhar quase sem parar, o consumo sobe e a formação de gelo aumenta.
O condensador é o segundo. A serpentina traseira ou a grade inferior acumula poeira, e poeira é isolante. O calor que precisava sair fica retido, e o ciclo inteiro perde rendimento.
O terceiro é o próprio gelo. Em modelos que exigem degelo manual, uma camada espessa no evaporador funciona como barreira térmica. Em frost free, acúmulo anormal geralmente indica falha no sistema de degelo ou entrada de umidade por vedação ruim.
Como estimar o custo mensal em três passos
Pegue o consumo mensal declarado na etiqueta em quilowatt-hora. Multiplique pela tarifa por quilowatt-hora da sua conta, somando os tributos que aparecem nela — a tarifa cheia costuma ficar bem acima do valor base divulgado. O resultado é uma estimativa de piso, porque as condições de uso real empurram o número para cima.
Para um aparelho já em uso, a comparação que interessa é outra: quanto ele consumia quando novo, segundo a etiqueta original, e quanto a conta subiu sem que o resto da casa mudasse. Diferença grande e persistente, em aparelho antigo, costuma sair mais barato de resolver com borracha de porta nova e limpeza de condensador do que com aparelho novo.